Sábado ocorreu o ato repudiando o feminicídio.
Nunca vi uma
manifestação reunir tantas pessoas aqui em Maringá. Foi lindo, foi
emocionante, foi um momento de luta, de indignação, de união e de
esperança. Foram muitos sentimentos ao mesmo tempo.
Não podemos
esquecer que a cada 02 horas uma mulher é morta no Brasil. Que o Brasil é
o 5° pais com a maior taxa de feminicídio no mundo todo.
Mulheres são abusadas sexualmente por desconhecidos, por seus
parceiros, por familiares, na rua, em casa, no rolê e até na igreja.
Mulheres são agredidas a todo minuto. São humilhadas, são
menosprezadas. São desqualificadas e silenciadas, em casa, no trabalho e
na rua.
Só pela manhã, eu soube de 02 mulheres da região que foram vítimas de feminicídio (nas últimas 24 horas).
Somos taxadas de loucas, grossas, exageradas, histéricas, quando
discordamos e quando erguemos a voz, quando somos assertivas e quando
opinamos.
Contudo, temos que continuar cobrando por políticas
públicas voltadas para o enfrentamento da violência contra a mulher,
temos que continuar exigindo das autoridades maior efetividade no
cumprimento das leis. Homens não podem mais achar que não serão punidos
por seus atos. Temos que continuar fazendo barulho, sim.
E, acima
de tudo, temos que investir em educação, em informação, em
conscientização, tanto para as mulheres se fortalecerem e denunciarem as
agressões e os agressores, quanto para homens aprenderem que não somos
objetos e que eles não são nossos donos. Eles não tem o direito de fazer
o que bem entenderem com as mulheres.
Temos que fortalecer o movimento, e nos unir cada vez mais, não podemos mais nos calar, nem nos intimidar.
Homens, respeitem a vontade das mulheres, os corpos, o espaço. Temos o direito de sermos livres, de ir e vir em paz, sem medo.
Nenhuma a menos. Basta!!!!!!!
Texto escrito pela advogada Ana Carla Tait Romancini, pós-graduada em Direito Civil, Processual Civil e Direito do trabalho (PUC-Maringá) e pós-graduada em Direito Contemporâneo (Universidade Candido Mendes), voluntária na Ong Maria do Ingá Direitos da Mulher.