Na noite de 19/09, as integrantes da Ong Maria do Ingá. Nice Gonçalves,
Jessica Magno e as professoras doutoras Maria Madalena Dias e Josiane
Pinheiro estiveram na Escola Maria Goretti, tratando sobre o tema
violência contra a mulher com alunos e alunas do curso de Técnico de
Enfermagem. Na reunião, também, foram abordadas as estatísticas
assustadoras de violência contra a mulher.
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
domingo, 1 de setembro de 2019
Integração de ações para sanar as dificuldades na aplicação da Lei Maria da Penha
A Roda de Conversa Dificuldades na
aplicação da Lei Maria da Penha realizada pela Ong Maria do Ingá Direitos da
Mulher, na data de 28 de agosto, trouxe reflexões relevantes para a atuação no
combate a violência contra a mulher.
O evento contou com as presenças da
Delegada da Mulher Dra Luana Louzada Pereira Lopes, da Secretária da Mulher
Claudia Palomares, da Promotora Dra. Carla Cristina Castner Martins, do Juiz da
5 Vara da violência Doméstica Dr. Jaime Souza Pinto Sampaio e da Profa Dra
Crishna Correa (Numape-UEM) com mediação da advogada Ana Carla Tait Romancini.
A combinação aumento no registro de casos
de violência combinada com a maior busca nas delegacias da Mulher leva a
indagação se a violência aumentou ou se as mulheres se sentem mais fortalecidas
para denunciar o agressor e as agressões sofridas. Para as autoridades
envolvidas na rede de enfrentamento a violência, é uma combinação das duas
situações, a violência aumentou e ao mesmo tempo as mulheres se sentem mais
seguras para denunciar as agressões sofridas.
Segundo o Juiz Dr Jaime Sampaio, de cada
10 mulheres, 4 sofreram algum tipo de violência, a qual começa com violência
verbal e vai aumentando até seu final trágico, o feminicídio. Para ele, é
necessário que as mulheres busquem ajuda para que o Estado se movimente pois o
Estado está preparado para atender as mulheres. Segundo ele, a violência não é
apenas cíclica, mas também espiral pois vai aumentando a cada ação do agressor,
colocando a mulher em perigo. Para o Juiz, também, houve aumento das denúncias
mas, também, o aumento da violência.
A promotora Dra Carla destacou a violência
psicológica que é invisível e sutil. Dentro de um relacionamento tóxico e
abusivo, segundo a promotora, muitas vezes a mulher não se percebe como vítima
de violência e ocorre a estagnação pelo medo e tensão tornando a mulher à mercê
do agressor. Tanto o Juiz como a promotora informam que ocorre poucos casos de
registro de violência psicológica. Mesmo estando caracterizado como crime e
previsto na Lei Maria da Penha, em seu artigo 7, as mulheres raramente
denunciar esse tipo de violência.
Para a Delegada da Mulher, Dra Luana
Louzada a violência doméstica é diferente de outros crimes pois abrange a
família, os filhos, pais e mães e os bens. A violência ocorre entre pessoas que
se conhecem, pessoas que tem uma história de vida. Por isso é tão difícil a
vítima procurar ajuda e ir a uma Delegacia da Mulher. A Delegada informa que
tanto os registros de ocorrência como as medidas protetivas dobraram de valor
de 2017 para 2019. Até julho de 2019, foram mais de 1500 boletins de ocorrência,
praticamente o mesmo número de 2017 inteiro. A expectativa é que, infelizmente,
esse número dobre até o final do ano de 2019. Para ela, a vítima não se
consegue perceber como vítima pois existem muitas formas de controle social na
vida das mulheres.
A Secretária de Políticas para Mulheres de
Maringá, Claudia Palomares considera que falta equipamento político e que
precisamos nos unir cada vez mais pois a violência atinge as mulheres em todas
as classes sociais, independe da cor, da raça e de anos de estudo. As mulheres
não se sentem protegidas mesmo com a rede de atendimento funcionando. Em Maringá
tem uma rede de atendimento com o CRAMM – Centro de Referência as Mulheres em situação
de violência, a Caso Abrigo para abrigar mulheres com risco de morte e a Patrulha
Maria da Penha. A Secretaria busca promover, também, a autoestima das mulheres
com projetos como o Projeto Florirá com cursos para geração de renda.
A Professora Dra Crishna Correa, do
NUMAPE-UEM destacou a existência do machismo e do patriarcalismo como forma de incentivar
a violência ao considerar o corpo da mulher à disposição dos homens. Portanto,
em sua opinião é preciso educar as pessoas, resolver o problema do machismo estrutural,
falar de gênero e do papel do machismo nas escolas. De acordo com ela, de
fevereiro de 2018 a fevereiro de 2019, 1 milhão e seiscentas mil mulheres
sofreram violência, 72% destas conheciam o agressor e 42% sofreram violência
doméstica e familiar. A professora afirma que há uma omissão sistemática por
política pública e se for observar o orçamento, são gastos 0,25 centavos por
mulher em situação de violência ou apenas R$ 4.000 (quatro mil reais) por
município se for dividir entre os municípios brasileiros. 11% dos municípios
tem Delegacia da Mulher, funcionando em horário comercial e fechado em finais
de semana e feriados. Ela destaca, também, que as mulheres lésbicas, portadoras
de deficiência e negras são consideradas
mais vulneráveis pois o investimento do Estado é muito aquém do necessário.
Para a mediadora do debate, a advogada Ana
Carla Tait Romancini, um evento como a Roda de Conversa ao trazer as
autoridades envolvidas com a aplicação da Lei Maria da Penha, contribui para maior
integração dos serviços e busca na solução dos problemas detectados em cada ponta
da rede de atendimento às mulheres em situação de violência. Segundo ela, pelo
trabalho que realizou em 2017, havia dificuldades para atendimento as medidas
protetivas as quais foram sanadas com punição mais severa ao agressor que as
descumpria.
A partir das explanações das autoridades e
das indagações e comentários do público presente, podem ser destacados algumas
ações que deveriam ser realizadas:
·
a
necessidade de discutir o machismo estrutural, o patriarcalismo e o gênero nas
escolas, para que as crianças e jovens aprendam a não perpetuarem a situação de
violência;
·
a
necessidade de uma atuação conjunta e multidisciplinar, envolvendo várias áreas
como psicológica, assistência social, direito, entre outras, em parcerias com
universidades públicas e privadas;
·
a
criação de projetos que visem a modificação do comportamento dos agressores;
·
fortalecer
os projetos que promovam a autoestima das mulheres e seu empoderamento para
denunciar casos de violência;
·
fortalecer
a integração entre os órgãos de atendimentos às mulheres em situação de
violência;
·
divulgar
informações sobre a rede de atendimento às mulheres em situação de violência;
·
informar
as mulheres sobre os tipos de violência contemplados na Lei Maria da Penha.
Ao final, o evento foi considerado de
extrema relevância para as pessoas presentes e solicitado que ocorram mais
ações para informar e conscientizar as mulheres, fortalecendo o combate à
violência contra a mulher.
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Na prática: Lei Maria da Penha e o machismo
A Lei Maria da Penha teve dois grandes
méritos: retirar a violência do âmbito doméstico e categorizar os vários tipos
de violência.
Ao retirar a violência do âmbito doméstico,
a Lei mostrou que a violência antes velada entre quatro paredes, mas conhecida
por todos ao redor, passa a ser responsabilidade do setor público com
necessidade de uma rede de atendimento que realmente funcione para que as
mulheres parem de ser agredidas e não sejam mortas.
Ao categorizar os tipos de violência, além
da física, em emocional ou psicológica, moral, sexual e patrimonial, a Lei
possibilita que as mulheres possam prestar queixas por todo e qualquer tipo de
violência que sofram, inibindo a violência e promovendo a punição do agressor.
No entanto, mesmo sendo uma das melhores
legislações de combate à violência do mundo e tendo salvado muitas mulheres, a
Lei precisa ainda ser incorporada na sociedade brasileira de forma a considerar
o homem agressor como criminoso e não apenas como um covarde qualquer.
Nas atividades realizadas pela Associação Maria
do Ingá Direitos da Mulher, carinhosamente chamada de ONG Maria do Ingá, depara-se
com mulheres que sofrem ou sofreram em seu cotidiano, por anos, de violência de
todos os tipos. Libertas e se sentindo seguras, essas mulheres relatam
emocionadas as experiências vividas e como isso as impediu de terem uma vida plena,
digna e feliz. Na vida real, as mulheres ainda se sentem sozinhas e com medo
para tomar atitudes em sua própria defesa.
Fatores complicadores na vida dessas mulheres
envolvem as famílias e as religiões. Muitas famílias por não querer se
intrometer na vida do casal, assistem passivamente a toda sorte de agressões,
torcendo para que um dia tudo se resolva.
As religiões, em sua maioria, pregam a
obediência e submissão das mulheres e pedem oração para que o homem deixe de
agir de forma violenta. As orações são sempre bem vindas, no entanto, não se
pode permitir que uma mulher seja espancada, humilhada e caluniada sem que se
tomem medidas legais e protetivas.
Nessa questão, os líderes religiosos tem
um papel importante pois cuidam da espiritualidade de seus fiéis e podem contribuir
com a rede de atendimento as mulheres em situação de violência e proporcionar
força para que as mulheres resolvam a situação para seu bem e de crianças que
sofrem, também, com a violência doméstica.
Na prática não é fácil. Os relatos são
tristes, as vidas das mulheres são marcadas e essas marcas deixam sequelas difíceis
de serem curadas.
Na prática, as mulheres em situação de
violência são impedidas de viver em plenitude.
Na prática, o machismo está impregnado em
nossa sociedade e possui aliados tanto declarados como silenciosos que impactam
no combate à violência contra a mulher. Portanto, para ser efetiva, a Lei Maria
da Penha necessita, também, da parceria no combate ao machismo que se sente
dono da alma e do corpo da mulher e que faz com que o agressor se sinta à
vontade para cometer a violência.
A Lei e a mudança cultural contribuirão
para o combate sistemático à violência contra a mulher e então, nesse tempo,
nossas mulheres poderão fazer relatos de suas vida em plenitude.
Artigo publicado por Tania Tait em www.taniatait.com.br, de 23/08/2019
Palestra com moradoras do Conjunto Itaparica em Maringá
Na tarde de 26/08, as integrantes da ONG Maria do Ingá, professora Maria Madalena Dias e a advogada Andréia Monteiro estiverem no Salão Comunitário Sergio Salle Luque (Conjunto Itaparica) para falar sobre violência contra a mulher e a Lei Maria da Penha para mulheres da comunidade. As mulheres participaram ativamente e fizeram questionamentos sobre a Lei Maria da Penha.
ONG em Roda de Conversa em Iguatemi
A convite da psicóloga Michele Rosa, a ONG, por meio da professora Tania Tait esteve realizando roda de conversa sobre violência contra a mulher com moradoras de Iguatemi, no dia 22 de agosto.
Na roda foram tratados os tipos de violência e o impacto na vida das mulheres.
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
Ong na Semana de Prevenção de Acidentes do Hospital Metropolitano de Sarandi
A
ong Maria do Ingá esteve na Semana de Prevenção de Acidentes do Hospital
Metropolitano de Sarandi com a palestra Violência contra a Mulher proferida
pela coordenadora da Ong Professora Tania Tait. A
advogada Andreia Monteiro e a assistente social Ilda Rocha (do HM), ambas da
Ong participaram das palestras. Foram 3 palestras para os tres turnos.
As
palestras são sempre um aprendizado e uma emoção que nos aquece e fortalece em
defesa dos direitos das mulheres e na luta pelo fim da violência contra as mulheres.
Ouvimos muitas histórias, muitos depoimentos de violência e de superação e
muitos corações abertos em nossos eventos, o que nos leva a fortalecer nossa
luta e termos a convicção do caminho a seguir para o basta à violência contra a
mulher.
Parabéns a equipe
do Sipat pela organização do evento. A ong agradece a oportunidade e o
aprendizado pelo compartilhamento com o público presente, pela troca de
experiências.
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